segunda-feira, 8 de junho de 2015

Cinema do Museu deve ser inaugurado até o fim de junho, estima novo presidente da Fundaj

Recém-empossado, Paulo Rubem quer trazer mais recursos humanos e financeiros para a Fundaj




Cinema do Museu, com cerca de 169 lugares, contará com equipamento moderno.

Aliar a vocação cultural da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) com as novas demandas na área de educação propostas à instituição pelo Governo Federal é apenas um dos desafios que o novo presidente da autarquia, Paulo Rubem Santiago, vai enfrentar na gestão. Empossado há pouco mais de uma semana no lugar do acadêmico Fernando Freire, o ex-deputado federal toma pé da situação em um contexto de aperto generalizado nas contas públicas e afirma que vai trabalhar para trazer mais recursos para a Fundaj, sejam humanos ou financeiros.


Na área da cultura, a instituição - ligada ao Ministério da Educação - já tem décadas de uma reputação consolidada no Recife, tendo o Cinema da Fundação e o Museu do Homem do Nordeste entre as facetas mais visíveis ao público. A primeira ação de impacto de Paulo Rubem no setor deve ser a abertura, ainda neste mês, do Cinema do Museu, cujas obras começaram em abril de 2014. “Já aconteceram duas projeções fechadas e falta apenas resolver um problema com a cortina elétrica para disponibilizarmos a sala ao público”.

A interação entre educação e cultura também deve motivar a realização de parcerias com outras instituições federais, segundo Paulo Rubem. “Vamos falar com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) e, entre os tópicos, veremos se há a possibilidade de estabelecer parcerias para um curso técnico em audiovisual. Houve um projeto nesse sentido, mas ele foi interrompido. Queremos saber o motivo e se ele pode ser retomado”. Outro ponto relacionado é ilustrado com a atuação do Centro de Audiovisual do Norte e Nordeste (Canne), baseado na Fundaj e que oferece cursos de capacitação na área de cinema, não apenas no Recife, mas em outras capitais do Norte e Nordeste. “Pensamos em aumentar a carga horária dos cursos e em fazer parcerias institucionais para firmar convênios”.



Gestor pretende criar curso de audiovisual em parceria com o IFPE.

Outra preocupação central é a realização de concurso público para todos os setores da Fundaj. “Queremos ir a Brasília para mostrar o que fazemos. Temos de lutar para que a instituição seja preservada. Para se ter uma ideia da situação, pagamos abono-permanência a 90 servidores que já contam tempo suficiente para se aposentar. Se realizarmos logo o concurso, o impacto seria de R$ 13,5 milhões por ano, mínimo diante da necessidade de renovar o pessoal. Com pouca gente, fica impossível até mesmo realizarmos os programas que o Governo Federal nos pede”.

A possibilidade de encontrar novas fontes de financiamento também é levantada pelo novo presidente da Fundaj a partir do conhecimento dos meandros da política e da atividade parlamentar. “Estou me empenhando para acompanhar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e vamos pedir para os deputados pernambucanos apresentarem emendas que possam beneficiar a instituição”.

Outro gargalo que Paulo Rubem Santiago identificou na instituição é divulgar as atividades de forma mais ampla, além de fazer com que ela trabalhe de forma mais integrada. “Nosso esforço é nacionalizar a Fundaj. Que outra instituição tem um museu, dois cinemas e uma atuação como a nossa? Outro esforço que pode ser feito é o de engajar a instituição nas discussões do Sistema Nacional de Cultura. Quanto à estrutura, as nomenclaturas e atribuições vão mudar. Não vamos ter coordenadorias tão fragmentadas como hoje. Porque não fazermos o nosso acervo de foto e vídeo interagir com os trabalhos da Massangana Multimídia Produções, por exemplo, que é o núcleo de criação audiovisual da instituição?”.

Mais planos para

OS CINEMAS
O Cinema do Museu (previsto para ser inaugurado até o fim do mês) terá 169 lugares e contará com a mesma curadoria do Cinema da Fundação, do Derby, hoje a cargo do cineasta Kleber Mendonça Filho e do jornalista Luiz Joaquim. “Pensamos em utilizar a sala para potencializar o uso do acervo de imagens que já temos. Também penso que podemos utilizar as dependências do cinema para falarmos mais da Fundaj”. A fundação também é responsável pela programação do Cinema Dragão do Mar, em Fortaleza.

O MUSEU
O museu deve ter uma nova ocupação do primeiro andar, a partir do acervo, que conta com 8 mil peças, mas apenas 800 (10%) expostas. “A intenção é fazer com que a interação do público com o espaço seja mais longa”. O local, que sofreu uma ampla reforma, finalizada em 2008, também deve passar por melhorias pontuais, como pintura das instalações e reformulação do acesso a portadores de necessidades especiais. A Fundaj também é responsável pelo Museu do Homem do Norte, que funciona em comodato com o Governo do Amazonas.

Trajetória
Como deputado federal, Paulo Rubem Santiago foi relator da Comissão de Educação e Cultura e do projeto do Vale-Cultura, que prevê a concessão de um cartão, no valor de R$ 50, para que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos adquiram livros, CDs, DVDs e ingressos de espetáculos. Também foi um dos autores do Plano Nacional de Cultura e relator do Sistema Nacional de Cultura (SNC), que tem o objetivo de organizar políticas culturais, o repasse de recursos e pressupõe também a organização de estados e municípios para que eles refinem a ação no setor.

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